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Quando
realizamos exercícios físicos, três sistemas funcionais são
responsáveis pela produção da energia. Os pulmões captam o
oxigênio do ar e o transferem para o sangue. O coração
propulsiona este sangue oxigenado para os músculos e estes por
sua vez utilizam o oxigênio para queimar os nutrientes e
produzir energia. (McARDLE et al, 1998). A nossa capacidade
física é diretamente dependente da aptidão funcional desses três
sistemas.
Por isso quando iniciamos um
trabalho de condicionamento físico com um cliente, temos que ter
em mãos algumas informações a seu respeito, para que possamos
planejar e criar um programa de exercícios que beneficie o
sistema responsável pela sua limitação.
Estes dados devem ser referentes
à aptidão física inicial e são obtidos através da anamnese, da
avaliação física e da avaliação médica. A importância da
avaliação física no início do programa e das reavaliações
periódicas, é por são necessários para direcionar, para analisar
e para observar os resultados que se pretendem obter ou que
estão sendo alcançados com a prática regular dos exercícios.
Dado que o cliente precisa de
motivação constante, uma forma de fazê-lo é através de
comparações de resultados obtidos com as medidas e avaliações
anteriores.
Na avaliação física, os
resultados são expressos em números, gráficos ou colocações (TRITSCHLER,
2003), o que facilita a compreensão. Mas por que tudo isso?
Simplesmente, porque cada cliente é diferente, ou seja, cada ser
possui a sua individualidade biológica e com isso, os fatores
limitantes serão também diferentes. Costumo dividi-los em três
categorias: iniciante ou sedentário, intermediário ou vida ativa
e avançado ou atleta.
No caso do cliente sedentário, o
seu fator limitante serão os músculos, devido ao pouco uso. Por
isso, não há uma exigência muito grande do coração ou dos
pulmões. Quando os músculos estão aeróbicamente treinados,
segundo Wilmore e Costill (2001), eles possuem mais capilares,
mais combustíveis (carboidrato ou glicogênio e gordura),
mioglobinas (que armazenam e transportam o oxigênio do sangue
para as mitocôndrias), mitocôndrias e enzimas produtoras de
energia (componentes energéticos das células).
Para o nosso cliente de vida
ativa, o seu fator limitante será o coração. Sua musculatura
está acostumada a ser exercitada, mas o seu coração não consegue
superar os pulmões em termos de fornecimento de oxigênio para os
músculos, ou seja, precisa tornar o seu coração maior e mais
forte. Quando o coração está, digamos “treinado”, ele é capaz de
produzir um débito cardíaco maior, liberando com isso mais
oxigênio para os músculos que estão atuando.(LEITE, 1997).
Para o cliente atleta, seu fator
limitante serão os pulmões já que a musculatura como também o
coração está adaptado a grandes esforços, mas os seus pulmões
não conseguem suprir as exigências, pois conforme aumenta a
intensidade dos exercícios, maiores quantidade de ar devem ser
levadas aos pulmões para poder fornecer oxigênio para os
músculos que estiverem atuando. Lembramos que o tamanho dos
pulmões varia muito pouco, mesmo com a prática regular de
exercícios (WILMORE, COSTILL, 2001; McARDLE et al, 1998).
As pessoas treinadas são capazes
de ventilar volumes muito maiores de ar durante um esforço
intenso, ou seja, são mais eficientes no que se refere ao
transporte e à utilização de oxigênio, de forma que é necessária
uma menor quantidade de ar por unidade de oxigênio consumido (DENADAI,
1999). Outro detalhe importante é que o aumento do volume
sanguíneo que ocorre refere-se principalmente na porção liquida
(WILMORE, COSTILL, 2001).
As hemácias são células que
transportam o oxigênio dos pulmões até os músculos. Com isso, o
sangue fica mais fluido. Mas aí, vem um detalhe interessante:
algumas pesquisas demonstraram que os pulmões e os músculos
podem suportar mais sangue e oxigênio do que o coração é capaz
de bombear. Dessa maneira o coração passa a ser também um fator
limitante do Atleta.
Atento a esses fatores
limitantes fica fácil iniciar um trabalho personalizado e obter
o progresso e o sucesso desejados pelo profissional de Educação
Física e pelo cliente.
As principais características
que devem nortear o trabalho de condicionamento físico são:
Tipo de Atividade – Que envolvam
grandes massas musculares e que possam ser exercitadas de forma
contínua e cíclica.
Duração – Varia de 30 a 60
minutos
Intensidade do Esforço - Deve
ser prescrita de forma a possibilitar uma sustentação do
exercício em condições de “Steady-State”.
Freqüência do Treinamento –
Preconiza uma freqüência semanal de três a cinco vezes.
Intervalo - Conforme a
intensidade do exercício pode variar de 30 segundos até 5
minutos.
Lembramos que a maioria dos
clientes, que querem um trabalho personalizado são em sua
maioria indivíduos sedentários e de vida ativa, portanto estes
procuram na maior parte do tempo: prazer, lazer, bem-estar,
prevenção, condicionamento físico e estético.(DOMINGUES FILHO,
1998).
Neste caso precisamos montar um
programa de exercícios que melhore a capacidade
cardiorrespiratória e as qualidades físicas como: flexibilidade,
força e resistência.
Esses três sistemas, pulmões,
coração e músculos se comunicam entre si, pelas vias químicas e
nervosas para assegurar uma coordenação precisa e exigente de
todas as atividades. Dessa maneira, quanto mais esses sistemas
forem utilizados, mais fácil se tornam os exercícios físicos
propostos, ou seja, os pulmões, coração e músculos se
desenvolvem enquanto as articulações são mantidas flexíveis e a
gordura corporal é mantida num nível saudável. (POLLOCK, WILMORE,
1993). Sendo assim, o exercício físico tem como finalidade
estimular esses três sistemas para que estes ofereçam benefícios
progressivos e duradouros a saúde do cliente.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. DENADAI, B. S. –
Índices fisiológicos de
avaliação aeróbia: conceitos e aplicações – Produção
independente do autor, Ribeirão Preto, SP, 1999.
2. DOMINGUES FILHO, L. A. –
Manual do personal trainer
brasileiro – Ícone, São Paulo, 1998.
3. LEITE, P. F. –
Exercício e o coração: manual de
cardiologia desportiva – Health, Belo Horizonte,
1997.
4. McARDLE, W. D; KATCH, F. I;
KATCH, V. L. – Fisiologia do
exercício: energia, nutrição e desempenho humano -
Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 1998.
5. POLLOCK, M. L; WILMORE, J.H.
– Exercícios na saúde e na
doença: avaliação e prescrição para prevenção e reabilitação
– Medsi, Rio de Janeiro, 1993.
6. TRITSCHLER, K. A. –
Medida e avaliação em Educação
Física e esportes de Barrow & McGee – Manole, São
Paulo, 2003.
7. WILMORE, J. H; COSTILL, D. L.
– Fisiologia do esporte e do
exercício – Manole, São Paulo, 2001. |